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Transformar o mundo cuidando das relações

  • 7 de mar. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de fev. de 2024


Relações Humanas

Aqui na Reconecta acreditamos que cuidar das relações tranforma o mundo! E não precisamos ir muito longe para compreender porque confiamos nisso. Podemos pensar que o que eu faço aqui, afeta o outro ali, e vice-versa. Que somos seres relacionais por natureza, interdependentes, e precisamos uns dos outros para nos desenvolver no que temos de mais precioso enquanto seres humanos: nossas humanidades.


De forma bem simplista, o “cuidar” significa promover o bem estar para si mesmo, para o outro e para os ambientes nos quais convivemos. Já a palavra “relação” traz com ela o sentido de vinculação entre pessoas, ligação, conexão. Nesse sentido, em um primeiro momento, cuidar das relações poderia se resumir nesse conceito maravilhoso: gerar bem estar, por meio dos vínculos e das conexões pessoais, interpessoais e sistêmicas.


Mas sabemos que o cuidado com as relações mora dentro de uma engrenagem complexa e que nossos processos conversacionais nem sempre são fáceis, pelo contrário, podem nos trazer grandes desafios. Quando intencionamos cuidar de um desafio, aceitamos um convite para adentrar uma estrada ampla, desconhecida, com muitas possibilidades no caminho. Se essa situação envolve outras pessoas, precisamos considerar que não estamos sozinhos: o movimento do outro e com o outro também importa. Por isso, a depender da nossa capacidade de transitar nas conversas, nem sempre o resultado do cuidar vai trazer bem estar e conexão para os envolvidos.


E tudo bem. Como chegaremos ao final da estrada? Não sabemos. O que sabemos é que nossas habilidades relacionais podem contribuir ou não com o bem estar das nossas relações, e talvez chegar lá na frente com a sensação de que fizemos as melhores escolhas possíveis, com os recursos que tínhamos disponíveis, seja o maior êxito desse cuidado.



Porque é tão importante cuidar das relações?


Pesquisadores de Harvard desenvolveram por quase oito décadas um estudo (Study of Adult Development) para entender o que realmente gera bem estar e faz as pessoas felizes. A pesquisa acompanhou o estado emocional, físico e mental de mais de 700 pessoas durante toda a vida, considerando aspectos materiais (como: ter casa, carro, emprego estável, dinheiro, fazer viagens, etc.) e comportamentais (como: casar, ter filhos, estar em família, quantidade de amigos, etc.). Os resultados revelaram que o aspecto que mais nos mantém felizes e saudáveis ao longo da vida é a qualidade dos nossos relacionamentos!


O estudo ainda mostra que nos sentimos bem e felizes quando nossas necessidades estão satisfeitas, bem cuidadas e atendidas, e que nossas relações são as principais estratégias para cuidarmos das nossas necessidades. Poderoso isso, né? Temos o poder de contribuir e colaborar com as necessidades uns dos outros.


Mas se a qualidade das nossas relações é um aspecto potente para gerar bem estar na vida, porque não cuidamos da nossa comunicação da mesma forma como cuidamos da alimentação, da higiene ou do sono? Porque tratamos nossas relações de forma corriqueira e não priorizamos o desenvolvimento das nossas habilidades conversacionais, reproduzindo relações superficiais, conflituosas e desconectadas, que nos desgastam e nos distanciam?


Não por acaso, a habilidade de se comunicar e conversar bem é uma das competências mais desejadas atualmente em todos os espaços de convivência, seja na esfera pessoal ou profissional. Quando a comunicação flui bem, as pessoas se sentem mais conectadas e os ambientes se tornam mais harmônicos.


A boa notícia aqui é que conexão, fluidez e qualidade nas relações se constrói.


Cuidar das relações começa na desconstrução de hábitos que nos colocam em comportamentos reativos ou passivos, e que nos afastam ao invés de nos aproximar. É um aspecto sutil, mas ninguém nos ensina na vida a conversar bem para nutrir boas relações. Aprendemos a nos relacionar falando mais do que ouvindo, agindo a partir das nossas verdades, dos nossos pensamentos e das nossas emoções, sem consciência das consequências trágicas e bloqueios que essa impulsividade inconsciente pode causar nas nossas vidas.


É aqui que a Comunicação Não Violenta (CNV) entra para contribuir. Ela nos convida a investigar o que está por trás do que falamos e ouvimos, a observar porque agimos como agimos e a experimentar interações mais humanizadas, sustentando a conexão entre as pessoas, mesmo em situações desafiadoras.


Uma relação de qualidade é uma relação em que as pessoas se sentem seguras para serem elas mesmas, nas suas potências, vulnerabilidades e limites. Com espaço para expressar o que pensam, o que sentem e o que precisam, sem se sentirem ameaçadas ou punidas, livres de medos, culpas ou vergonha. Sabendo que serão ouvidas e consideradas sem julgamentos, e que a partir desse espaço ampliado será possível escutar e considerar o outro também.


É nesse campo de confiança bem azeitado, de gente pra gente, que acreditamos ser possível transformar nossos padrões relacionais, desbloquear os nós com recursos práticos, para que soluções mais saudáveis e cooperativas sejam encontradas, cuidando do bem estar comum e gerando impacto positivo no coletivo.







 
 
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